Olá!
Depois de um período de intenso trabalho e investigação, partilho convosco a conclusão de uma etapa que muito me orgulha, não só a nível pessoal, mas pelo que representa para o panorama da gastronomia Portuguesa. No passado dia 15 de dezembro, defendi a minha tese de Doutoramento no prestigiado Basque Culinary Center, tornando-me o primeiro homem Doutorado em Ciências Gastronómicas do mundo, o quinto Doutor formado por aquela instituição e o primeiro Doutorado na linha de investigação de “Gestão, Cultura e Sociedade”. A Tese foi avaliada com a nota máxima, “Sobresaliente”, e recebeu do Júri de Doutoramento a menção honorífica “Cum Laude”, por unanimidade.
Esta investigação, intitulada “Gastropolítica da gastronomia portuguesa”, nasceu de uma inquietação real: porque é que a nossa cozinha não tem o reconhecimento global de uma qualquer outra cozinha de outro país?
Esta formação doutoral dotou-me de conhecimentos e competências que me permitem perceber e resolver problemas complexos, nomeadamente no cômputo da promoção da cultura gastronómica, no espaço e papel da alimentação nas relações internacionais, no entendimento da politologia alimentar.
Desconstruir mitos para valorizar o território
Um dos principais contributos da minha investigação é o facto de justificar que muito do que hoje chamamos “gastronomia regional” ou “tradicional” foi, na verdade, um construto político do Estado Novo.
Defendo que está na hora de abandonarmos conceitos obsoletos e passarmos a falar da cozinha das pessoas e dos territórios. Precisamos de uma verdadeira estratégia de Gastrodiplomacia para que Portugal seja reconhecido lá fora pela sua identidade real, e não apenas por estereótipos criados com fins turísticos.
O que vem a seguir?
Este título não fica guardado numa gaveta. O trabalho continua através do Conselho Português de Gastronomia (CPG), uma plataforma “polifónica” que impulsionei e fundei com outros 14 parceiros, sediada em Gouveia, para debater e desafiar o setor. De mim podem ainda esperar a continuidade da luta pela profissionalização da promoção gastronómica e, quem sabe, pela criação de uma Secretaria de Estado da Gastronomia, que representa cerca na atualidade cerca de 9% do nosso PIB.
Obrigado por acompanharem este caminho e especialmente à minha equipa de Orientação Raquel Moreira, Luís Lavrador e Pablo Orduna. Vamos continuar a elevar a gastronomia portuguesa, com ciência, técnica e conhecimento.





